8- Busca - Procedimentos

Luiz Makoto Ishibe
 
Os cães podem ser treinados para busca de diferentes objetos. Hoje existem animais treinados para procurar pessoas (catástrofe, soterramento, mata, pista de fugitivo, etc), narcóticos, explosivos, cupins (dedetização), produtos agrícolas (controle de fronteiras), produtos químicos (vazamento), gases, diagnosticação de doenças em estágio inicial, etc.
 
Uma vez que um cão entre em regime de treinamento seria bom que o condutor formatasse um tipo de ritual para elevar o impulso de busca (caça). Todos os exercícios devem começar do mesmo jeito. Assim, numa ocorrência real, mesmo estando em um ambiente estranho, o animal entenderá que entrará em ação assim que começa o tal ritual. É também importante oferecer água ao animal. O trabalho de olfato fica comprometido quando o cão não está bem hidratado.
 
Lembre-se de que o cão não entende a linguagem humana. O que ele faz é interpretar procedimentos e comandos. Dessa forma quanto mais evidente for o procedimento (ou ritual) melhor será o resultado. Note que o ritual não visa apenas enfatizar o comando. O animal entende ou não entende o comando e o ritual não ajudaria nisso. O que acontece é que, uma vez criado a seqüência de eventos que leva ao comando, o animal entra em num estado de expectativa e isso eleva o drive.
 
Além do mais, numa ocorrência real é natural que o condutor esteja no estado de nervosismo ou expectativa maior. Então executar esse ritual é também uma forma para normalizar o estado de nervo, um tipo de distração antes do trabalho (que para o cão continua sendo brincadeira de achar um objeto escondido).
 
Mas antes mesmo da execução do tal ritual para o início do trabalho o condutor deve fazer algumas avaliações:
 
1-     Em termos ideais o trabalho deve ser feito no momento do dia quando o ar está mais fresco possível. O cão perde a precisão do seu faro com o aumento da temperatura, além de se desgastar mais fisicamente.
 
2-     Fazer o reconhecimento da área antes de soltar o cão. O terreno deve ser avaliado para o levantamento dos pontos de risco, assim como os de maior potencialidade sempre que isso for possível. Note que esse procedimento nem sempre pode ser executado, por exemplo na busca no meio de multidão (armas, entorpecentes, etc).
 
3-     Avaliação da direção do vento. Fazer o cão trabalhar em regime de busca avançando na mesma direção do vento não é produtivo. Idealmente a busca deve ser feita no regime de vai-e-vem transversalmente ao vento. A cada volta avança-se mais para dentro (contra) do vento. Então o condutor deve escolher o ponto geográfico ideal para iniciar o trabalho antes de executar o ritual. Trabalhos em ambiente de ar morto tende a desgastar mais o animal (mais uma razão para priorizar as buscas fora do horário de pico do calor do dia)
 
O ritual não necessita ser nenhum procedimento complexo ou burocrático. É apenas uma forma de começar o trabalho com o intuito de se criar uma expectativa maior para o animal. Por exemplo, você pode por o seu cão no “senta”, conversar com ele tipo: - vamos brincar, vamos procurar o seu brinquedo? Então retira o guia e a coleira para então dar o comando de busca.
 
Como se vê o procedimento é simples, pode ser executado em qualquer lugar e não demora mais do que 20 ou 30 segundos. Se sempre o exercício de busca for iniciado da mesma forma chegará uma hora em que, assim que começar o ritual, o seu cão vai naturalmente aumentar o drive para o trabalho.